O dia que perdi meu chapéu em Milão

Era inverno, o clima de Natal estava no ar…

"Amor, vou a Milão na próxima segunda-feira. Você quer vir comigo?" — perguntou Mimmo, e aquela pergunta fez meus olhos brilharem. Afinal, eu adorava ir para Milão, a cidade da moda, e logo disse "sim". But ele logo avisou: "Não vai ser uma ida para passear. Preciso resolver algo em um banco, e depois voltamos para casa." E eu respondi: "Tudo bem."

Deixa eu te contextualizar: o ano era 2020. Foi o ano em que eu caí na real e procurei ajuda para organizar minhas finanças. O ano em que eu dei um "basta" em viver sem dinheiro pra nada, pedir emprestado ou trabalhar como uma louca sem ver a cor do dinheiro. Já tinha se passado seis meses desde que comprei meu primeiro curso sobre como cuidar do meu dinheiro. Naquele dezembro, eu já sabia qual era meu custo de vida, quanto eu ganhava, já estava me pagando, quitando dívidas e me controlando para não comprar impulsivamente. Então, ir a Milão seria como um teste, já que ir ao shopping não fazia mais parte do meu lazer.

Passei a semana ansiosa, pensando nas vitrines lindas que veria em Milão. Talvez você esteja pensando: "Com tanta cultura na Itália, por que ela não aproveita para admirar algo mais artístico ou histórico?" E você tem razão, mas essa não era a Mônica de 2020. Milão é encantadora, e as vitrines… ah, as vitrines! São de outro mundo.

Chegou o grande dia. Sinceramente, não lembro se fomos de carro ou trem (espera aí que vou perguntar ao Mimmo… Voltei! Fomos de trem). Usei um look clássico: sobretudo bege, jeans e botas. Talvez eu ache uma foto no meu celular antigo para deixar no final da newsletter. Lá estávamos nós em Milão, como dois namorados apaixonados, mesmo após 13 anos juntos.

Paramos para a segunda colazione, porque Mimmo sabe que eu amo o combo: cafeteria bonita + cappuccino chiaro + brioche. Depois, seguimos direto para o banco. No caminho, perguntei: "Amor, quanto tempo você vai demorar?" E ele respondeu: "Não sei." Eu, então, disse: "Ok, não quero ficar escutando o que vocês vão conversar. Acho que vou dar uma volta por aqui e depois volto." Ele sorriu e disse: "Va bene! Só cuidado para não se perder, Milão é grande."

E lá fui eu, sozinha pelas ruas de Milão, do jeito que eu amo. Entrei em várias lojas. Não tinha uma lista de "coisas que estou precisando", mas tinha um orçamento: €100. Esse dinheiro era meu "eu mereço", um presente por ter evoluído tanto nas finanças nos últimos meses.

Em uma das lojas, lá estava ele: o meu chapéu. Nunca tinha usado chapéu na vida, mas aquele… ah, foi amor à primeira vista. Era bege (claro, né?) e combinava perfeitamente com meu look. Coloquei na cabeça, me olhei no espelho e foi um "boom". Meu sistema 1 (emoção) entrou em ação e já me dizia: "Compre!". Mas aí veio meu sistema 2 (razão) e me fez respirar fundo: "Você ainda tem outras lojas para visitar. Deixe o chapéu, veja outras coisas, e depois você volta."

Continuei minha jornada, entrando em lojas caras e baratas. No final, nada superava o chapéu. Voltei para buscá-lo… mas não encontrei mais a loja. Andei, procurei, olhei as fotos no celular, mas não havia nada que identificasse o lugar. Meu chapéu tinha sumido para sempre.

Duas sensações me invadiram:

  • Tristeza, porque aquele chapéu já era "meu" na minha cabeça.
  • Orgulho, porque voltei para casa com meus €100 intactos. Afinal, quem garantia que eu realmente usaria o chapéu?

Contei para Mimmo, e ele deu risada: "Ótimo, assim você não gasta." Ele tinha razão.

Nos dias seguintes, fiquei olhando a foto do chapéu e pensando: "Será que um dia encontro outro igual?" Mas sabe o que percebi? Eu não precisava dele. Eu estava aprendendo a controlar minhas emoções, meus impulsos, e isso era muito mais valioso.

Se tem algo que essa história me ensinou é: apenas comece. Pode ser um passo pequeno, mas é o início de uma grande transformação.

Vamos começar?

Um RICO mês pra você!

Mônica Gleib